A demanda por mesas para trabalhar em pé, conhecidas como “stand up desk” ou “standing desk” cresceu nos últimos meses, e quem já adota o novo hábito nota um aumento do foco e produtividade.

 

Provavelmente você já tenha escutado isso antes: o homem não foi feito para ficar o dia inteiro sentado. Durante as centenas de milhares de anos que habitamos o planeta terra, nossa perpetuação como espécie sempre se baseou na capacidade de andar e se movimentar para obter água e alimentos.

No entanto, nos últimos 80 anos uma rápida transformação ocorreu na história da nossa evolução: mudamos completamente nossas ocupações, e principalmente nosso estilo de vida.

Com o advento da burocratização do trabalho e a valorização do capital intelectual, deu-se origem a uma inusitada relação de intimidade entre o homem e a cadeira.

Nos dias de hoje, passamos em média 12 horas diárias “grudados” em algum tipo de cadeira ou assento, seja no carro, no escritório, ou no sofá. Esta mudança fundamental em nossos hábitos posturais impactaram diretamente nossa qualidade de vida.

Hoje, estamos adoecendo mais do que nunca com problemas de obesidade, pressão alta, diabetes, doenças do coração, estresse, e dores nas costas.

Gigantes do setor de tecnologia nos EUA e Europa começaram nos últimos anos a oferecer mesas para trabalhar em pé com o objetivo de reduzir o sedentarismo, permitindo aos colaboradores uma variação de posturas durante a jornada de trabalho.

“Essa mudança de hábito faz todo o sentido, pois quando ficamos em pé não estamos mais em modo sedentário; passamos a trabalhar ativamente os músculos do abdómen, das pernas e costas” ressalta a bailarina e terapeuta corporal, Mônica Monteiro.

Gabriel Marquez, CEO de uma start up de tecnologia Brasileira é usuário deste tipo de mesa, que ainda é novidade pra muita gente no Brasil. Procurando uma forma mais saudável de trabalhar, ele procurou uma empresa que vendesse o produto no Brasil. Quando encontrou, ficou satisfeito com o resultado do produto.

“A mesa funciona muito bem, é acionada eletronicamente, a gente nem se preocupa com isso. É só ligar na tomada e apertar o botão, sem segredo”. Ele observa também uma mudança no próprio rendimento. “Na verdade, quando se trata de uma tarefa que demanda um foco maior, quando se faz em pé, é melhor”, explica.

Monteiro, por sua vez, explica que esse aumento do foco na realização de tarefas não é por acaso, uma vez que em pé melhoramos a circulação sanguínea e, consequentemente, aumentamos o fluxo de oxigênio que chega ao cérebro: “É uma ótima ideia para o retorno do sangue venoso, por que quando se está sentado com a virilha fechada ficamos dificultando essa subida.

A letargia, aquela preguiça constante que faz com que o indivíduo se sinta desanimado, é resultado do vício do corpo que ficou inerte por muito tempo.

Mônica explica que o corpo precisa de movimento para aumentar sua disposição: “Se você vai afundando na cadeira numa posição desleixada sem nenhum estímulo para os músculos, isso vai deixando você preguiçoso, cansado, sem energia.

Notando que a tendência chegaria ao Brasil, em 2016 a GenioDesks introduziu no mercado Brasileiro uma linha de mesas com regulagem de altura com acionamento elétrico. Fernando Ziemer, seu fundador, conheceu este tipo de mesa ainda quando morava no exterior, e anos depois decidiu trazer o conceito no Brasil.

mesa para trabalhar em pe

Ziemer posa com sua mesa para trabalhar em pé

“Percebemos que o velho paradigma de passar o dia todo imóvel numa cadeira está começando a ser quebrado. Hoje, estamos vendo as pessoas buscando uma opção de estação de trabalho mais flexível que permita variar de posições durante o dia”, explica Ziemer.

Aprendemos através de alguns estudos científicos que trabalhar em pé algumas horas por dia proporciona inúmeros benefícios para a saúde.

“Maior queima de calorias por hora, melhor funcionamento do metabolismo, principalmente em respeito à quebra de açúcares e gorduras no sangue, prevenção de obesidade, e hipertensão, complementa Ziemer.

Marquez percebeu uma melhoria no rendimento. Ele percebeu, de fato, uma mudança na disposição para realizar determinadas tarefas. “O bom é que dá para, às vezes, fazer reuniões com as pessoas e discutir alguns assuntos em pé mesmo. Dá um pouco mais de disposição para trabalhar em alguns momentos”.

Hoje, apesar de muitas empresas abraçarem a causa contra o sedentarismo através de convênios com academias, o resultado ainda não é o esperado. O acúmulo de horas ininterruptas trabalhando sem movimentar o corpo não pode ser compensado com uma hora de exercícios a noite e nos finais de semana.

“É como o tabagismo, uma pessoa que fuma não pode reverter os danos à sua saúde causados pelo cigarro correndo nos finais de semana”. A terapeuta corporal explica: “Não adianta ficar sentado o tempo inteiro, criar uma lesão e depois querer descontar no fim de semana”.

Por este motivo, espera-se que a iniciativa de empresas como Google, Facebook, e Apple seja reproduzida pelo mundo a fora. A previsão é de que nos próximos anos a adoção de mesas com ajuste de altura que permitem alternância de posturas cresça, tornando este tipo de mobília de escritório cada vez mais comum em escritórios de empresas de todos os seguimentos e também nos home offices.